Depois de Sandrine Bonnaire e de Carole Bouquet nos anos precedentes, Maria de Medeiros será a madrinha da 13ª edição da
Festa do Cinema Francês.

Poucas pessoas poderiam assumir tão bem como ela, com uma carreira de actriz, realizadora e cantora dividida entre Paris e Lisboa,
o espírito deste festival. Acresce que, neste como nos últimos anos, Maria de Medeiros é presença constante na secção de filmes em ante-estreia, como é o caso nesta edição de Poulet aux prunes, da iraniana Marjane Satrapi e de Vincent Paronnaud.

Tendo vivido a infância na Áustria até ao 25 de Abril de 1974, Maria de Medeiros cresce em Lisboa e mais tarde estuda Filosofia, assim
como Teatro, em Paris. A sua entrada como actriz no mundo do cinema dá-se pela mão de João César Monteiro, em Silvestre(1982).
Mas é anos mais tarde, primeiro com Henry e June (1990), de Philip Kaufman; A Divina Comédia, de Manoel de Oliveira (1991); ou Pulp Fiction, de Quentin Tarantino (1994), que começa a granjear uma carreira internacional. O reconhecimento chegaria ainda nesse ano de 1994 com a densidade de Três Irmãos, filme de Teresa Villaverde que lhe valeu o prémio para Melhor Actriz no Festival de Veneza e que será apresentado no ciclo de seis filmes que seleccionou. Continuando sempre a representar, Maria de Medeiros passa no ano 2000 para o outro lado da câmara e apresenta Capitães de Abril, uma original reconstituição da madrugada libertadora de Abril de 1974, prelúdio da revolução portuguesa, que foi seleccionada para o Festival de Cannes. Je t’aime moi non plus, documentário de 2004 que discute a relação de amor/ódio que une realizadores de cinema e críticos, é outro dos filmes que realizou e ambos integram o ciclo agora proposto. Este termina com Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut (2010), uma denúncia das condições de acolhimento de imigrantes em Portugal, e dois dos filmes franceses mais recentes em que contracena: À l’abri de la Tempête e Je ne suis pas mort, de Camille Brottes-Beaulieu e de Ben Attia, respectivamente.

Além do cinema e do teatro, com uma carreira de actriz e de encenadora prosseguida sobretudo em palcos franceses, Maria de
Medeiros faz também uma incursão no mundo da música e conta já com dois discos gravados, A Little More Blue, disco de 2007 composto por versões de temas da grandiosa música popular brasileira, e Penínsulas e Continentes, de 2010.