A Medeia Filmes associa-se à celebração do cinema francês através de uma retrospectiva da obra de Jacques Audiard, o realizador de De rouille et d’os (o filme que encerra a Festa deste ano) e um dos cineastas mais elogiados da actualidade.

Filho do aclamado cineasta Michel Audiard, afirmou-se no cinema em nome próprio como argumentista. Réveillon chez Bob, Sac de noueds, Poussière d’ange e Baxter foram alguns dos filmes cujo guião Jacques Audiard assinou na década de 1980.

A década seguinte vai marcar uma nova etapa no percurso cinematográfico de Audiard. Em 1994 estreia-se nos cinemas franceses a sua primeira longa-metragem, Regarde les hommes tomber (11 de Outubro, 21h30, Espaço Nimas), protagonizada por Jean-Louis Trintignant, Jean Yanne e Matthieu Kassovitz.

O primeiro filme de Audiard, elogiado pela crítica francesa que reconheceu na obra uma subtil revisitação da herança do policial francês, foi nomeado para quatro Prémios César. Acabou por conquistar três galardões, incluindo o de Melhor Primeiro Filme.

Dois anos depois com Un héros très discret (Um Herói muito discreto – 14 de Outubro, 16h00, Espaço Nimas), Audiard voltou a destacar-se no panorama cinematográfico francês. No Festival de Cannes, o filme conquistou o Prémio de Melhor Argumento, co-escrito pelo cineasta, e foi nomeado para seis Prémios César, incluindo o de Melhor Realizador.

Protagonizado por Mathieu Kassovitz, Un héros très discret passa-se na França do pós-Segunda Guerra Mundial, e acompanha o jovem Albert Dehousse cujo único pecado é ter inventado para si próprio uma vida maravilhosa (mas falsa) ao assumir-se
como um herói. Resta saber quanto tempo conseguirá manter esse estatuto.

Foram precisos mais cinco anos para que Jacques Audiard regressasse com uma nova obra: Sur mes lèvres (Nos meus Lábios – 13 de Outubro, 18h30, Espaço Nimas), com Vincent Cassel e Emmanuelle Devos, nos papéis de Paul e Carla respectivamente.
Ela é quase surda e consegue ler nos lábios. Ele acabou de sair da prisão. Ela quer ajudá-lo. Ele acha que ninguém o pode ajudar, excepto ele mesmo.

O filme, elogiado de forma unânime pela crítica, que valorizou a sua “intensidade rara no cinema francês” (Jean-Michel Frodon, Le Monde), foi nomeado para nove Prémios César e venceu em três categorias, incluindo Melhor Argumento e Melhor Actriz.

De filme em filme, Jacques Audiard foi firmando de forma soberba o seu lugar singular na cinematografia francesa. Com a sua quarta longa-metragem, De battre mon coeur s’est arrêté (De tanto bater o meu coração parou – 13 de Outubro, 21h30,
Espaço Nimas), arrecadou não só oito Prémios César (incluindo Melhor Filme e Melhor Realizador), como também um Urso de Prata no Festival de Berlim e o Prémio BAFTA para Melhor Filme Estrangeiro.

Com o seu filme seguinte, Un prophète (Um Profeta – 12 de Outubro, 21h30, Espaço Nimas), Audiard alcançou mais um ponto alto da sua carreira enquanto realizador. O filme, que traça o percurso glorioso de um jovem árabe recém-chegado ao universo
violento de uma prisão, conquistou o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes, foi nomeado como Melhor Filme Estrangeiro para os Óscares e para os Globos de Ouro tendo vencido o BAFTA nessa mesma categoria.

Un prophète foi também o grande vencedor dos Prémios César, arrecadando nove galardões, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Original.

Já este ano, o cineasta francês apresentou no último Festival de Cannes o seu último filme, De rouille et d’os, protagonizado por Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts. O filme conquistou a crítica internacional presente no mais importante festival do mundo e também o público francês, que acorreu às salas de cinema para o descobrir.